Todo bom livro tem um fim infelizmente.

maio 12, 2012 § 4 Comentários

Não sei por que, mas demorei para sentar e escrever esse post, acho que não queria colocar o ponto final. Embora depois de tanto tempos desde a última atualização ficou claro que eu parei de escrever no blog. Não por que parei de ler, pelo contrário, mas por que a vida acadêmica é possessiva e quer atenção exclusiva, então quando eu tenho tempo livre durante a noite prefiro ler do que escrever sobre o que li. Esse blog durou muito mais tempo do que eu esperava (chegou a quase dois anos) e agradeço por cada um que parou algum momento para ler sobre as minhas idéias. (:

Quem quiser comentar sobre algum livro, eu estou no goodreads (http://www.goodreads.com/user/show/4797091-lorena-miguel). Será ótimo se alguém quiser conversar!

Até! Boas leituras!

Comer Animais

janeiro 31, 2012 § 2 Comentários

Eating Animals

Jonathan Safran Foer

Rocco, 2011

O problema de ter autores favoritos é que leva ao desejo de ler todos os livros escritos por eles e isso pode levar a livros não tão bons ou de temas não desejados. No caso de Foer levou a segunda opção, onde a idéia de ler um livro sobre a criação e abate de animais nos Estados Unidos estava longe da minha lista de temas futuros. Mas já que estamos aqui, vamos aproveitar, certo? O que faz o livro interessante para alguém que não se importa com o assunto é a forma de escrever de Foer. A mistura exata de dados com relatos pessoais. Não chega perto de ser um livro acadêmico como também não vira um livro sobre as idéias e gostos do autor. Isso é impedido também por ele deixar claro suas opiniões, porém ele admite que houve mudanças com o tempo e está aberto a ouvir outros argumentos.

Uma das melhores partes do livro é exatamente a abertura para diferentes opiniões, o que ocorre através de diferentes relatos, como abatedores e ativistas vegetarianos. Quando eu comecei o livro eu pensei que seria uma grande apologia ao vegetarianismo, o que embora eu ache uma causa nobre é algo que não consigo imaginar na minha vida. Foi uma surpresa agradável perceber que o próprio autor errou no que achou que seria a sua proposta do livro. O livro não é sobre ‘carnívoros são maus e insensíveis’ sim sobre como esses animais mesmo tendo uma morte não-natural merecem uma vida respeitável. O livro não é sobre aqueles que comem a mesa, sim sobre aqueles que produzem e o como o fazem na sua busca de lucro sem fim.

Os relatos do trato de animais são assustador e deprimente, embora isso não seja surpresa para ninguém. A questão é que não paramos para pensar como é feita, então quando há um relato direito de como ocorre nos pega desprevenidos. Foer não tenta chocar simplesmente por chocar, ele escreve sem florear para tentar piorar, afinal não é necessário, a situação já é ruim o suficiente. A grande questão é o que as pessoas que não são envolvidas diretamente podem fazer frente a essa situação. Afinal o que pode se fazer quando um mercado tão grande está tão dentro do governo que não se pode acreditar no que é apontado sobre as visitas governamentais. É uma situação que nem o próprio autor do livro conseguiu responder claramente, já que não há garantias do que está escrito na embalagem ou que a diferença de preço faz tanta diferença.

É necessário mais conscientização e buscar por mudanças, já que não desejamos mudar nosso estilo de vida. É um caminho complicado que levará muito tempo, mas é necessário lembrar que há uma grande diferença entre abater animais para alimentação e criar cruelmente por que no fim morrerá de qualquer forma. Os grandes produtores esqueceram isso, o problema continuará enquanto os consumidores preferirem ignorar a questão.

“No mundo das criações industriais, as expectativas são viradas de cabeça para baixo. Os veterinários não trabalham buscando a melhor saúde possível, mas o maior lucro possível. As drogas não são usadas parar curar doenças, mas como substitutos para sistemas imunológicos destruídos. As criações não visam produzir animais saudáveis. (pag. 192, par. 02)

[Take Care – Florence The Machine]

O Professor e a Literatura

janeiro 14, 2012 § Deixe um comentário

O Professor e a Literatura

Ligia Cademartori

Autêntica, 2009

 

Acho que é óbvio que eu goste um pouco de literatura, afinal essa é a única coisa que eu consegui continuar a longo prazo. Discutir literatura não é só um prazer como uma forma também de analisar o mundo através de outra ótica. É triste perceber que o pensamento científico é visto como a única forma possível de ver a realidade, sendo que é uma das formas, estando a arte complementando. Dentro de todo o segmento artístico a literatura é o que mais me interessa e me move. Logo é difícil pensar no meu ambiente de futuro, pelo menos espero, que é a sala de aula sem pensar em como a literatura pode contribuir para isso. Essa relação é tão intrínseca para mim que já fiz diversos trabalhos universitários tentando ver como a Literatura e a História podem se unir. Não só pensando em um novo viés de conhecimentos como prazer também, algo que esta sendo extremamente necessário dentro da sala de aula atualmente.

Ligia Cademartori escreveu um pequeno livro sobre como é possível a utilização da literatura na sala de aula. Dois pontos fundamentais do livro são o fato de que ela se preocupa com diferentes faixas etárias e assim usando literatura apropriada para cada. O segundo é o fato de usar literatura estrangeira, algo que sinto muito falta quando se trata de literatura na sala de aula. A importância do primeiro é por que é possível discutir a importância do ensino da literatura desde o início, assim abrindo caminho para conhecer todas as possibilidades que a leitura traz.  Também a importância do professor saber o que é adequado para cada idade, contudo sem diminuir a inteligência das crianças. É saber qual o estilo de escrito e a base que tem que se ter, não se trata de violência e sexualidade, isso a Globo já ensinou há muito tempo.

O segundo elemento é que é importante ensinar a literatura nacional obviamente, mas é importante priorizar o ensino em vez do objeto ensinado. Eu realmente não conheço literatura, eu sei o que é romantismo e é isso aí, mas não diria que a literatura de um país é o suficiente para abordar tudo que há. A literatura não é só maravilhosa para se conhecer (tem um autor que diz que elogiamos os autores que não fazem olhar para si mesmo), mas para conhecer outros lugares.  Há a possibilidade de mostrar para a criança que há muito mais do que ela conhece, que há mundos e pessoas lá fora que não se pode começar a listar de tão diferentes. Por que não utilizar a literatura africana ou asiática para ensinar sobre o respeito ao diferentes, por exemplo? Ou a literatura européia e americana para ensinar sobre poder? Ficamos nos repetindo eternamente sobre Machado de Assis e Graciliano Ramos, quando podemos abrir espaço e mostrar que há outros e que eles talvez se interessem por esses. Não se pode falar que estamos ensinando direito em um pais que a média de leitura de uma pessoa é menos de um livro por ano.

“Quando falo em leitor, não falo daquele que eventualmente lê, mas sim daquele que não pode viver sem ler. Que perfil é o dessa pessoa? Não sei, nunca encontrei para isso resposta satisfatória. Arrisco dizer, apenas, passando em revista os leitores que me cercam desde sempre, que se trata de gente com indisfarçável inquietude intelectual e certa dose de desajuste, do tipo que acha que o real insuficiente.” (pag. 92)

[Long Time – Cake]

O Deus das Pequenas Coisas

janeiro 13, 2012 § Deixe um comentário

The God of Small Things

Arundhati Roy

Companhia das Letras, 2008

 

Há livros e autores que você não sabe muito bem como definir ou escrever sobre, simplesmente não vem nada muito inteligente ou profundo. Afinal escrever que comprou por que falam que é famoso não é a coisa mais glamorosa ou profunda. Bem, infelizmente é assim que esse livro foi comprado e o motivo da leitura foi que eu queria livros pequenos durante o período da faculdade (vamos todos rir pelo fato de que faz mais de um mês que eu estou de férias e só agora estou escrevendo a resenha). Mas só por que o início foi banal não significa que a leitura tem que ser, sorte minha por que as minhas escolhas são aleatórias ou com motivos como esses. Sabe como eu sempre falo que a escrita desse autor é diferente? Então, vou escrever sobre isso novamente. Eu sei, eu sei, é previsível e com o tempo perde a singularidade na afirmação, contudo se meu simples vocabulário somente consegue descrever dessa forma terei que permanecer fiel.

Arundhati Roy tem uma escrita como se fosse poesia, e admiro muito o fato de que o tradutor conseguiu manter isso.  Não é simplesmente uma busca de palavras bonitas, sim de uma rima com lógica levando a história de uma forma criativa. As suas contínuas descrições de forma diferenciada fazem com que se forme uma imagem singular durante a leitura. Ela consegue misturar de uma forma linda a descrição de pessoas e ambientes com as impressões dos diferentes personagens. Esses alias trazem a principal força do livro, afinal as diferentes visões traz uma tridimensionalidade a eles como diferentes pontos de vista. Até os personagens secundários tem o seu espaço e dessa forma é possível compreender e sentir o que cada momento-chave causa neles.

Outra característica de Roy é a coragem ela não só tratou de um assunto extremamente polêmico como também fez críticas do sistema social indiano. No primeiro caso, o fato dela ter passado a linha e ter levado a relação dos irmãos até aquele momento foi surpreendente por ser uma literatura contemporânea em uma época atual. Como também ela não julga como algo estranho ou nojento, sim como uma completude, um ser dividido em dois. Não soube como reagir inicialmente até perceber que desde o início a relação que ela desenvolveu realmente levava para um desfecho daquela forma. O segundo, tratar sobre o sistema não é incomum, mas ela tratou sobre as conseqüências que há quando se tenta passar essa linha. O interessante é por que há um choque de diferentes visões, daqueles que entendem como algo natural e dos que questionam esse sistema e sua relação com os sistemas políticos externos.

Por fim, uma escolha interessante foi a mistura de diferentes momentos distintos cronologicamente. Pelo menos para mim, me impacta muito mais quando eu sei que virá algo do que seguir uma linha e ter muito mais a surpresa do que enfrentar aquilo que estava esperando. É algo, tipo, ‘vocês estão tão felizes agora, vocês não tem idéia do que virá’. Esses diversos elementos te levam a um mundo diferente, realmente te transporta para aquele mundo no interior de uma cidade indiana.

“Ammu disse que os seres humanos eram criatura de hábitos e que era incrível o tipo de coisas com que podiam se acostumar.” (pag. 58)

 

[Congratulations – Blue October feat Imogen Heap]

Não Me Abandone Jamais

janeiro 5, 2012 § Deixe um comentário

Never Let Me Go

Kazuo Ishiguro

Companhia das Letras, 2005

Sabe o tipo de pessoas que lê livro que ficou super popular por causa de filme e nunca viu o filme? Então, história da minha vida. Não Me Abandone Jamais foi mais um desses casos, depois da explosão do filme (pelo menos em lugares hipsters), diversos comentaram logo foi para na listinha, o livro foi comprado e o filme baixado, bem só a primeira parte foi realizada, ops.  Outro clichê nessa história é o fato de ser que o interesse surge por que o livro é sobre uma sociedade alternativa e no final o interesse são seus personagens e suas relações. Isso me lembra um comentário de George R.R. Martin que diz que independe por onde formos na literatura é sobre o coração humano. A cada livro que leio isso se torna mais verdade.

O interessante na narratiiva de Ishiguro é como ela vai se completando aos poucos, as informações são dadas completando o grande quebra-cabeça. Como se baseia sobre um personagem, Kathy, contando como se fossem memórias revividas as mudanças são constantes e verdadeiras. A ida para frente e para trás na linha temporal representa bem como uma história é contada e mantém bem o mistério dessa sociedade que vai se revelando aos poucos. A sociedade a qual Ishiguro conseguiu misturar bem elementos de uma sociedade construída com da sociedade conhecida. Assim conseguiu levar o que importa, os personagens, para frente sem o leitor se sentir totalmente sem chão para compreender o que está acontecendo. Principalmente por que há fatos conhecidos que as pessoas não precisam de informações novas como confinamento, autoridade e resignação.

Os três principais, Kathy, Ruth e Tommy, são os centro do livro obviamente, contudo o que realmente importa é como os relacionamentos ocorrem dentro do trio e como um influencia sobre outro. Como é pela visão de Kathy o namoro de Ruth e Tommy é posto em uma luz negativa. Talvez seja por que eu quisesse outra visão desses relacionamentos, eu não pude achar Kathy e Tommy tão especial como talvez fosse para achar. Por que eu estava focada em compreender mais como era Ruth e Tommy e as repercussões para Ruth e Kathy (a idéia em si). Outra história da minha vida: focar em questões secundárias. Mas embora não conseguisse entender como certos relacionamentos funcionavam completamente, os personagens eram bem desenvolvidos e interessantes.

Teve algo de indefinido no livro, a histórias tem todas as fases embora se misturem, mas teve certo sentimento de inconclusivo no final do livro. Talvez seja uma coisa positiva, como se aquilo que foi dado era o bastante, mas não o suficiente. E o que me faz querer ler mais livros de Ishiguro é que tem algo na sua escrita diferente, algo que te compila a buscar, uma incompletude. Olha ai eu de novo tendo dificuldades para definir a escrita de um autor, bem prefiro assim mesmo. (Que isso, garoto, três resenha em um dia!)

“Mas a verdade é que havia marés fortíssimas nos puxando cada qual para o seu lado e bastou aquela briguinha para completar a tarefa. Se tivéssemos entendido isso na época – quem sabe? -, talvez tivéssemos mantido um contato bem mais próximo entre nós.” (pag. 239, par. 02)

[The Chaconne – Dessa]

Man Walks Into a Room

janeiro 4, 2012 § Deixe um comentário

Man Walks Into a Room

Nicoke Krauss

Penguin Books, 2007

 

Escrever sobre os livros de Nicole Krauss é difícil, okey, eu sei que eu afirmo isso quase todas as vezes, contudo se eu tivesse que escolher a mais difícil seria dela (sendo que esse é o segundo livro). Afinal não posso simplesmente definir que ‘existe algo que não sei explicar, mas é bom’, isso não me faria uma boa resenhista, né? O problema é que dificilmente consegue passar dessas simples palavras. Mas não seria esse o início de um autor diferenciado? Quando as pessoas não conseguem passar do simples ‘há algo’, algo que atraio e que não há nada anterior que possa te ajudar a basear tudo o que sente. Prefiro definir autores dessa forma do que simplesmente repetir diversas vezes de como aquele autor me lembra outro por que tudo se mistura de tão igual que é. A única coisa que eu quero parecida entre meus autores favoritos é que me faltou palavra e sobraram sentimentos.

A palavra que consegui pensar para definir foi ‘longing’, que o Google me ofereceu como melhor definição forte desejo ou saudade. Talvez seja isso, talvez seja mais. É uma contínua pontada de dor, como se estivéssemos continuadamente perdendo algo e sabendo que não é possível recuperar. O engraçado é que os dois livros dela tem estilo totalmente diferente, History of Love é muito mais poético, esse se encaixa mais nos padrões de escrita corrida. Contudo ainda há esse sentimento, apesar das diferenças, mesmo que seja desenvolvido mais ainda em History (vamos descobrir como ficou no terceiro lançado ano passado). Não imagino que ela vá perder isso, e definitivamente não quero que perca. Embora seja às vezes incomoda, essa sensação (podemos até chamar de dorzinha) é boa. Krauss consegue fazer os leitores sentirem não só com suas histórias, mas simplesmente através de sua forma narrativa.

A autora traz de uma forma única questões primárias como o que nos forma, o valor da memória, novos inícios. É impossível ler a história de Samson e não se perguntar o que faria em sua posição, não julgar cada tomada de decisão. Você lutaria para manter a memória ou tentaria algo novo, sem o peso da memória? E o que sentimos, muda se eu não tenho mais a história pelo qual se baseou? E o engraçado era que minhas opiniões variavam um pouco durante a leitura, por que pensava algo, mas ai via Samson ir por outro caminho e considerava que talvez não fosse tão ruim. Krauss utilizou um caso raro (afinal quantos conhece que perde a memória dos últimos 24 anos? Telenovela mexicana não conta) para tratar algo que consideramos nas nossas vidas tão – supostamente – banais.

Não consigo definir muito bem os livros de Krauss, só consigo dizer ‘vá, leia, veja se consegue definir melhor do que eu’. Mas no fundo essa não deveria ser a essência de todas as resenhas? Bem feita ou não, talvez mais diretamente do que deveria, é assim que consigo escrever sobre Krauss. E vou te dizer, não mudaria isso por nada.

“Time passes and somehow the hope creeps back and sooner or later someone else comes along and we think this is the one. And the whole thing stars all over again. We go through our live like that and either we just accept the less relationship – it may not be total understanding, but it’s pretty good – or we keep trying for that perfect union, trying and failing, leaving behind us a trail of broken hearts, our own included. In the end, we die as alone as we were born, having struggled to understand others, to make  ourselves understood, but having failed in what we once imagined was possible.” (pag. 124, par. 06, l. 02)

[Matches to Paper Dolls – Dessa]

A Valsa dos Adeuses

janeiro 4, 2012 § 2 Comentários

La Valse Aux Adieux

Milan Kundera

Companhia das Letras, 2010

 

Escrever sobre Milan Kundera é difícil para mim considerando que já li boa parte do que já escreveu ficcional ou não. Logo eu já conheço seu estilo e suas maiores obras. Logo os comentários são de alguém que já conhece, não a descoberta de algo totalmente novo que te anime. Já pensei do meu início com Kundera, já estou casada praticamente, sendo assim sei o que já tem de melhor e agora já encontro os defeitos. Essa dificuldade faz com que não saiba o que escrever, por que não sei o que criticar, mas também não sei o que escrever sem parecer que estou me repetindo e comparando injustamente com suas maiores obras. Como minha mãe disse, a maioria dos livros não serão obras primas. E esse é o problema de tentar ler toda bibliografia de um autor (#whitegirlproblems)

Como não dar para impedir a comparação com os outros, vamos então fazer isso. Olhando para a coleção de seus livros, é possível perceber como a maioria pequena (exceções são A Brincadeira e a Insustentável…). Se tem algo que Kundera consegue fazer diferente da maioria é condensar uma história em poucas páginas. Foi com ele que eu descobri o valor de livros pequenos, antes desvalorizados frente a idéia de que não eram bem aprofundados. A Valsa dos Adeuses é mais desses casos, onde em 243 páginas você conhece diversos personagens e consegue compreender a ação de cada um. Muitos livros você acompanha os pensamentos e quando ocorre a ação, tem que parar um pouco e pensar, às vezes consegue entender outras não. São raros os momentos nos livros de Kundera que não entendo completamente as ações. Para alguém que não quer simplesmente ler páginas vazias, Kundera sempre se diferenciará de outros.

Não acho que a maioria das histórias do tcheco seja extraordinária, pelo contrário, normalmente são até banais. Afinal quem nunca ouvir falar sobre o possível aborto de uma criança ou a volta de exilados para casa. Esse é o ponto dele, suas histórias não são extraordinárias, como ele as escreve sim. A contínua análise de todos os pontos o faz quase um analista em vez de um contador de história. Isso me lembra quando em um dos livros de ensaios ele afirma que seus livros acabariam sendo ele só explicando o significado de cada palavra para ele. Ele se apega nesses detalhes e é o que singulariza. Quantos autores você conhece que passam o início de um romance discutindo sobre noções de diversas palavras? Ele não quer falar da língua somente, ele quer falar da história dos homens que levou a sua criação.

Eu realmente não tenho muito que dizer sobre o livro, não está perto da minha lista de favoritos (ele já tem dois no meu top6 isso já é o suficiente). É engraçado, por que eu falo que ele é analisa mais do que conta, porém uma coisa não exclui a outra. Ele ainda sabe jogar com as tensões, manter você preso para saber o que ocorrerá, o desfecho da suposta história banal. Aparentemente, eu não tenho muito o que falar desse livro, mas eu sempre tenho para falar sobre esse autor.

“Por que chegar à conclusão de que não há diferença entre o culpado e a vítima é perder toda a esperança. E é isso que o que se chama inferno, querida” (pag. 86, par. 03, l. 12)

[Sail – Awolnation]